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Há pouco tempo, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU)
alertou: o Brasil é o maior
consumidor de remédios para
emagrecer. Enquanto em nações
européias o consumo de
medicamentos à base de
anfetaminas vem caindo, aqui a
história é outra, pois juntam-se
a obstinação da mulher
brasileira pelo corpo perfeito,
a falta de fiscalização dos
órgãos competentes junto a
farmácias que vendem essas
drogas sem receita médica e a
imprudência de médicos que
emitem receituários solicitando
o consumo de tais substâncias
indiscriminadamente.
O uso continuado de anfetaminas,
além da perda de peso, provoca
aumento permanente da pressão
sanguínea e distúrbios
psicológicos, como
agressividade, irritação,
paranóia, confusão de
pensamento, verborréia (excesso
de palavras para dizer coisas de
pouco conteúdo), compulsividade
e até esquizofrenia. As mulheres
constituem 90% dos usuários da
droga.
Recente pesquisa revela que
pessoas “bonitas” conquistam
mais sucesso no ambiente de
trabalho e que, além da
discriminação por sexo e raça,
pessoas bem cuidadas chegam a
ganhar 10% mais.
O crescimento da indústria da
beleza no Brasil também é
revelado pelo crescente aumento
de academias abertas em todo o
território nacional. De acordo
com matéria publicada pela
Revista Veja, edição especial,
em dezembro de 2003, existiam no
Brasil sete mil academias, que
atendiam a 3,5 milhões de
alunos, representando em torno
de 2% da população brasileira.
Ainda com base nos dados
publicados pela revista, o
Brasil só perde para os Estados
Unidos em número de academias,
onde há 20.200 estabelecimentos
abertos. E em relação ao número
de pessoas matriculadas, o
Brasil vem em quarto colocado,
depois dos Estados Unidos,
Inglaterra e Alemanha.
A popularização de cirurgias
estéticas também revela o
crescimento da indústria da
beleza em nosso país. Nessa
área, o Brasil perde apenas para
os Estados Unidos. Segundo dados
da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Plástica, a média é de
500 mil cirurgias por ano, cerca
de 60% delas para fins
estéticos. Dessas, 70% são em
mulheres e 15% em adolescentes.
Vítimas em potencial, as
mulheres almejam ter seios como
os de fulana, boca igual à de
sicrana, bumbum idêntico ao de
beltrana e, assim,
multiplicam-se copiando corte de
cabelo e medidas que não são
suas, perdendo sua identidade e
beleza natural. Muitas vezes,
para conquistar o “corpo
perfeito”, exageram nos
exercícios físicos, apelam para
cirurgias perigosas, privam-se
de uma alimentação balanceada e,
como resultado, até chegam a
atingir as medidas desejadas,
mas acabam com a saúde.
Não há beleza maior que a
exibida por uma pessoa saudável
e em paz com o espelho. Mas o
que é beleza? Platão, no século
4 a.C., reconhecia o caráter
sensível do belo, dizendo que a
beleza é a única idéia que
resplandece no mundo. Desde
então, o belo e o feio entraram
na pauta de discussões. O ditado
“gosto não de discute” surgiu a
partir das conclusões de
filósofos empiristas, que
relativizaram a beleza ao gosto
de cada um. Por sua vez, Kant
afirmou que o belo é “aquilo que
agrada universalmente, ainda que
não se possa justificá-lo
intelectualmente”.
Beleza tem a ver com
autenticidade e singularidade.
Antes de conquistar olhares
alheios, a beleza deve vir de
dentro, refletindo um estilo de
vida saudável e o prazer em
viver bem, com saúde e feliz. O
resto, é conseqüência! O que
atrai as pessoas, de verdade, é
o belo sorriso e o bom-humor de
uma pessoa autoconfiante, pronta
para alcançar o sucesso
profissional e pessoal.
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