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Dr. Lair Ribeiro,Palestrante
internacional, ex-diretor da
Merck Sharp & Dohme e da
Ciba-Geigy Corporation, nos
Estados Unidos, e autor de
vários livros que se tornaram
best-sellers no Brasil e em
países da América Latina e da
Europa. Médico cardiologista,
viveu 17 anos nos Estados
Unidos, onde realizou
treinamentos e pesquisas na
Harvard Unversity, Baylor
College of Medicine e Thomas
Jefferson University.
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A maioria das pessoas cresce e constrói sua identidade a partir do que
não pode fazer. A quantidade de
“não” que escuta desde a
infância é tão grande que chega
a ser paralisante. Assim, o
cérebro (que deveria ser palco
de manifestações criativas e
inovadoras) vai criando
limitações para que a pessoa
possa sentir-se aceita no meio
em que vivemos.
Vivemos em uma sociedade
extremamente crítica, que não
tolera erros, e isso nos torna
excessivamente autocríticos.
Cerca de 95% das pessoas mantém
uma “conversa negativa” consigo
mesma, condicionando seu cérebro
a pensar mais no que não quer do
que no que deseja.
É sabido que os principais
referenciais de uma pessoa são
instituídos durante a infância,
até os 7 anos de idade. Nessa
fase, chamada de “absorção”,
reagimos aos estímulos externos
como uma esponja, simplesmente
absorvendo-os. Essa é a fase em
que aprendemos mais e
perpetuamos tais conhecimentos
em nossa personalidade.
Uma pesquisa realizada nos
Estados Unidos revelou que
crianças, até os 8 anos de
idade, recebem cerca de cem mil
“nãos”. Pode parecer um número
absurdo, mas é real. O estudo
também revelou que as crianças
pesquisadas recebiam, em média,
um elogio para cada nove
repreensões. Além disso, os
pesquisadores descobriram que,
para anular os efeitos negativos
de uma repreensão, são
necessários, pelo menos, sete
elogios.
Há uma equação a respeito da
influência do “não” na vida das
pessoas e vou apresentá-la a
você:
A quantidade de “nãos” a que as
pessoas foram submetidas, somada
ao modo como elas os assimilaram
e ao tipo de sensibilidade de
cada uma, responde pela
quantidade de auto-estima que
elas têm hoje.
Atualmente, as pessoas deixaram
de pensar naquilo que desejam,
mas são capazes de relacionar
tudo o que “não” querem para sua
vida. O problema é que a palavra
“não” provoca uma reação
paradoxal no cérebro, pois não
possui representação
lingüística. Ao ler ou escutar a
palavra “quadrado”, por exemplo,
você forma imediatamente uma
imagem mental da figura
geométrica em questão. E se eu
lhe disser “Não pense em um
quadrado”, seu cérebro
desprezará o “não” e continuará
pensando em um quadrado,
registrando só o que veio depois
do “não”, ou seja: “pense em um
quadrado.”! Por isso é tão
importante fazer afirmações
positivas.
Outro dia, em um de meus cursos,
um pai de família me disse que
está cansado de pedir ao seu
filho que não brigue com a irmã,
mas ele continua brigando.
Expliquei a esse pai que o
filho, ao escutar “não brigue
com sua irmã”, despreza o “não”
e assume só o que vem depois:
“brigue com sua irmã”.
Sugeri-lhe que passasse a pedir
ao filho para ser gentil com a
irmã, pois assim ele
visualizaria a correta e seu
cérebro, pouco a pouco, o
ajudaria a transformar essa
imagem em realidade.
Esse é o paradoxo do não: as
pessoas sempre pensam naquilo
que são solicitadas a não
pensar.
Nosso cérebro está programado
para atender às nossas vontades,
mas se pensamos apenas no que
não queremos, dificilmente
alcançaremos o sucesso. Para ver
o mundo de uma outra forma é
preciso pensar positivamente e
estabelecer relações com pessoas
prósperas e de bem com a vida.
Além disso, é fundamental
estipular metas positivas. As
metas nos estimulam a seguir
adiante, mas como ninguém gosta
de ir em direção a coisas
negativas, se as metas não forem
positivas não teremos motivo
para tentar alcançá-las. É
preciso identificar o que nos
faz bem e felizes, pois ninguém
pode obter satisfação daquilo
que você não quer. |