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Dr. Lair Ribeiro,
Palestrante internacional,
ex-diretor da Merck Sharp &
Dohme e da Ciba-Geigy
Corporation, nos Estados Unidos,
e autor de vários livros que se
tornaram best-sellers no Brasil
e em países da América Latina e
da Europa. Médico cardiologista,
viveu 17 anos nos Estados
Unidos, onde realizou
treinamentos e pesquisas na
Harvard Unversity, Baylor
College of Medicine e Thomas
Jefferson University.
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Enquanto a tecnologia avança, técnicos na área da educação estudam
alternativas para potencializar
o sistema educacional,
tornando-o ao mesmo tempo
prazeroso e eficiente. Quase
todos acreditam que se deve
apenas acrescentar novas
tecnologias ao sistema atual.
Mas o novo não é a única
alternativa para o
aprendizado.Um olhar mais atento
ao passado pode render boas e
produtivas idéias. Quer um
exemplo? — Jesus Cristo!
Vamos falar de Jesus como
educador e comunicador, pois há
dois mil anos, munido apenas de
sua comunicação pessoal, esse
homem conseguiu transmitir suas
idéias e doutrina a milhares de
pessoas e fez com que se
mantivessem vivas até os nossos
dias.
Quando começou sua pregação,
então com 30 anos, Jesus
precisava de um meio eficaz para
transmitir a sua mensagem; um
meio de comunicação eficaz, que
pudesse ser compreendido
igualmente por todos. Atento ao
que acontecia em seu tempo, ele
apropriou-se de um sistema de
ensino que já era utilizado nas
sinagogas: o aprendizado por
meio de parábolas.
De acordo com o Dicionário
Houaiss da Língua Portuguesa,
parábola se refere a “narrativa
alegórica que transmite uma
mensagem indireta, por meio de
comparação ou analogia” e
“narrativa alegórica que encerra
um preceito religioso ou moral,
especialmente as encontradas nos
Evangelhos”. Sua origem vem do
grego (parabolê), onde pode
significar: comparação,
aproximação; semelhança;
discurso alegórico; encontro,
choque; ação de se desviar do
caminho reto.
E foi por meio de parábolas que
Jesus transmitiu seus
ensinamentos. Inspirando-se em
imagens do cotidiano das pessoas
às quais se dirigia, ele criava
histórias enigmáticas, que, por
um lado, induziam à reflexão e,
por outro, passavam
despercebidas por aqueles que
não estavam preparados para
decifrá-las, pois esperavam um
discurso direto e objetivo.
Jesus conseguia, de forma
singela e, ao mesmo tempo, bem
elaborada, transmitir suas
idéias sobre o desenvolvimento
do caráter e suas orientações
sobre como deveria ser a conduta
da vida no âmbito familiar e
social. De forma sutil e
inteligente, ele também fazia
críticas ao sistema político e
social de seu tempo. Em vez de
falar abertamente e provocar
alvoroço momentâneo, ele
preferiu levar as pessoas a
refletir e a tirar suas próprias
conclusões.
Quando é preciso atingir pessoas
de diferentes níveis sociais,
culturais e econômicos, por
exemplo, o uso de parábolas é
uma alternativa bem eficaz. Por
sua linguagem simples, narrativa
curta e quase sempre com
elementos comuns ao cotidiano
das pessoas, elas parábolas
conseguem captar rapidamente a
atenção de quem as estiver
escutando ou lendo.
Parábolas remetem à idéia de um
aprendizado contínuo e
eficiente, pois a cada nova
leitura, novas interpretações e
ensinamentos podem surgir. Além
disso, são essencialmente
facilitadoras da transmissão de
conhecimento, pois é muito fácil
repassá-las a outras pessoas.
Parábolas são estruturas vivas
de conhecimento. |