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A década de 70, lembrada por muitos como tempo de “paz e amor”, no qual
os hippies e o movimento
tropicalista responderam por um
cenário de grande efervescência
cultural, foi também um período
marcado por ações violentas
contra as manifestações de
direitos humanos. Ações que,
como se sabe, eram decorrentes
dos regimes ditatoriais e
militares que, então, tomavam
conta de países
latino-americanos e se
caracterizavam pela constante
infração dos códigos mais
básicos dos direitos humanos e
da conduta civilizada, como
censura, tortura e exílio.
Hoje, a violência está em todo
lugar. Não existe mais lugar
seguro. É cada vez mais comum
conhecermos pessoas que já
sofreram algum tipo de violência
ou nós mesmos sermos vítimas
dela. Pauta constante nos
noticiários de todo o País, a
violência embalou toda uma
geração, que cresceu sob a
vigência do medo e da
insegurança, fruto da violência
indiscriminada a que estamos
expostos. Pavor dentro e fora de
casa, na rua, no trabalho, no
lazer... Não importa se você
anda a pé, de ônibus, de metrô
ou de carro particular. A
qualquer momento, você pode se
tornar a próxima vítima...
E quanto mais violenta a
sociedade, mais se fala em meios
para prevenir-se contra ela.
Livros, jornais, revistas,
programas de tevê mostram
especialistas em segurança
ensinando como sobreviver a essa
verdadeira “guerra urbana”.
Todavia, esses “meios” tão
divulgados de prevenção são, em
grande parte, de caráter
pessoal. Necessários, sim, mas
nunca substitutos de medidas
públicas de combate à violência
que nos assola.
A preocupação com a violência
afeta a qualidade de vida de
todos nós, uma vez que interfere
em nosso convívio social,
familiar e profissional. Doenças
como estresse, depressão,
ansiedade e síndrome do pânico
estão cada vez mais associadas
ao aumento da violência nos
grandes centros urbanos.
Movimentos sociais, organizações
não-governamentais e campanhas
públicas incentivam a prática da
gentileza, da compreensão, da
solidariedade, do respeito e da
igualdade. Gestos simples, que
não resolvem o problema da
violência, mas que vão
sedimentando nas pessoas um
sentimento de boa-vontade em
relação ao próximo, sentimento
este que a violência tem se
encarregado de eliminar.
Existem muitas formas de
violência e muitos setores da
sociedade convivem com ela
passivamente, fechando os olhos
para atos violentos que ocorrem
no dia-a-dia ou participando
deles. É por isso que ações
propondo uma nova ética de
cidadania, condizente com o
bem-estar das pessoas, da nação
e do planeta, são muito
importantes.
Aumentar a segurança, colocando
mais policiamento nas ruas, por
exemplo, é fundamental. Mas isso
deve vir acompanhado de uma
retomada de valores essenciais,
como os valores sociais,
culturais, econômicos, políticos
e morais, pois o desrespeito à
cidadania é uma das principais
causas do crescimento da
violência no país.
As melhores formas de prevenção
são o combate ao desemprego e a
melhoria na educação; portanto,
urge abordar a questão da
violência urbana não apenas como
um caso de polícia, mas,
principalmente, como um fator
social. Só há um problema: se os
setores competentes da máquina
estatal para decisões dessa
natureza se demorarem muito a
decidir, os valores da cultura
da violência irão se arraigar a
tal ponto que será impossível
revertê-los. |